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IMUNOTERAPIA - MITOS E VERDADES:

MITOS

Foi só no começo do século 20 que começou o estudo da imunologia, quando muitos pesquisadores começaram a preocupar-se com esse assunto. Esses pioneiros tinham dificuldades técnicas de toda ordem: de equipamentos e de entendimento dos fenômenos imunológicos. Era o começo.

Mas as vacinas antialérgicas estão sendo utilizadas há 95 anos. Freemann e Noon foram os primeiros a utilizar a hipossensibilização (vacina antialérgica). Leonard Noon, em 1911 na Inglaterra, fez com sucesso o tratamento da rinite alérgica. Noon, usando extrato de pólen de grama, aliviava os sintomas dos riníticos durante a estação de polinização.

A produção de vacinas, no início, era muito precária, e isso perdurou até os anos 80. As primeiras vacinas eram produzidas da poeira domiciliar colhida “in natura”. Acontece que a poeira variava de residência para residência, de cidade para cidade... Com isso, os resultados dos tratamentos com vacinas iam do sucesso ao fracasso, pois não eram consistentes. Esse fato levou os pacientes e os profissionais de saúde a não acreditar no tratamento com vacinas antialérgicas, fato que persiste até hoje. Essa é causa do mito segundo o qual vacina de alergia não funciona.

EVOLUÇÃO DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO

A evolução técnica e os conhecimentos de imunologia, porém, foram mudando ao longo do tempo, e a partir dos anos 80 essa evolução foi muito rápida. A poeira domiciliar, por exemplo, é composta de elementos mortos e vivos. Descobriu-se, assim, que os ácaros eram os responsáveis pela sensibilização das pessoas, pois provocavam asma e rinite alérgica. Outros elementos continuaram a ser identificados como provocadores de alergia, como baratas, fungos-do-ar, polens das plantas (gramas, arbustos e árvores), cães, gatos, alimentos...

As vacinas no início eram aquosas, e a sua concentração era expressa em P/V (peso/volume). Utilizavam-se as diluições 1/1.000.000, 1/100.000, 1/1000 ... e aplicavam-se doses crescentes. As primeiras vacinas, além disso, não apresentavam a concentração das proteínas (alérgeno).

Com o tempo, as condições técnicas permitiram produzir vacinas de melhor qualidade e passou-se a adicionar adjuvantes como o gel de hidróxido de alumínio. As proteínas passaram a ser expressas em PNU/mL (unidade de nitrogênio protéico/mL), mas não se conhecia sua atividade biológica. Essas vacinas ainda são usadas hoje em dia, mas começaram a serem substituídas por outras mais eficazes.

As vacinas modernas, que progressivamente começaram a substituir as vacinas expressas em PNU, são agora expressas em UB/mL (unidades biológicas/mL). As características principais delas estão no fato de que são constituídas da parte antigênica principal do alérgeno, expressas em mcg/mL (micrograma/mL), e da sua atividade biológica.

Cita-se o exemplo do ácaro da poeira domiciliar, o Dermatophagoide pternonissinus. A vacina deve ter as frações Der p1 e Der p2, as quais estimulam o paciente a produzir “defesa” contra a alergia produzida pelo ácaro, ou seja, as vacinas se tornaram mais específicas. Os resultados produzidos por esse tipo de vacina são melhores quando comparados com as vacinas expressas em PNU.

RISCO DE CHOQUE ANAFILÁTICO

Outro mito muito temido é o risco do choque anafilático. Eis alguns dados para sua avaliação. Segundo a American Academy of Allergy and Immunology, atualmente são aplicadas 33 milhões de doses de vacinas antialérgicas por ano nos Estados Unidos, o que significa 2,75 milhões de doses/mês ou 91,6 mil doses/dia. Segundo Lockey e colaboradores, haviam ocorrido 40 fatalidades durante os anos de 1945 e 1987 com o uso da imunoterapia, 6 delas durante a realização de testes alérgicos, ou seja, em 42 anos ocorreu praticamente apenas 1 fatalidade por ano.

Uma revisão da literatura mostrou que 70% das reações sistêmicas ocorrem até 30 minutos após a aplicação da dose da vacina.

No consultório de alergia a reação mais freqüente é dor e vermelhidão no local da aplicação, que ocorre em 10% dos pacientes. É muito raro o risco de choque anafilático.

Com o uso e a dosagem apropriados raramente ocorre reação sistêmica.

O QUE SE SABE: FINALMENTE O RECONHECIMENTO

A tecnologia de produção das vacinas antialérgicas melhorou muito nos últimos anos. Depois de 87 anos, no ano de 1998 a OMS (Organização da Mundial da Saúde) reconheceu pela primeira vez que a vacina antialérgica é o único meio disponível para tratar a causa da resposta alérgica. O trabalho foi coordenado pelos professores J. Bousquet (França), R. Lockey (Estados Unidos) e H.J. Mailing (Dinamarca).

É preciso lembrar que a avaliação dessa comissão recaiu sobre trabalhos científicos que utilizaram vacinas antialérgicas que expressavam seus componentes em UB/mL (unidades biológicas/mL).

INDICAÇÃO DA IMUNOTERAPIA

O objetivo da imunoterapia é tratar a causa e, assim, modificar a evolução natural da alergia, fato reconhecido pela Organização Mundial de Saúde a partir de 1998.

Esse tratamento diminui a possibilidade de novas sensibilizações, pois o efeito prolongado da vacinação diminui ou impede a progressão da alergia e, como conseqüência, reduz o uso de medicação antialérgica.

A vacina antialérgica é indicada em pacientes portadores de alergias mediadas por anticorpos IgE, que são detectados por meio do teste alérgico cutâneo ou do RAST. As principais alergias nas quais são indicas vacinas antialérgicas são choque anafilático (provocado por veneno dos himenópteros introduzido pelas ferroadas de abelha, vespas ou formiga lava-pés), asma brônquica, rinite alérgica (anual ou sazonal), conjuntivite alérgica, tosse crônica...

O estrófulo é exceção, pois é uma alergia cutânea mediada por células e provocada por insetos sugadores como mosquito (pernilongo), mosca (borrachudo), pulga, carrapato... É usado o veneno do mosquito Culens pipens para imunização antialérgica.

CONTRA-INDICAÇÕES

As contra-indicações envolvem patologias em que o alérgico tem muito pouco beneficio ou é nulo, como nas imunodeficiências, na patologia maligna ou na Aids. Devem-se também acrescentar os casos em que o risco de morte é muito grande, como na doença pulmonar crônica (FEV 1 menor que 50%) e no asmático instável ou sem-controle e os pacientes com angina ou infarto do miocárdio recente e hipertensão arterial não-controlada . Em doenças auto-imunes, em que existe risco potencial para o paciente como, no lúpus grave e na doença inflamatória intestinal,.. vale a mesma recomendação.

Pacientes em uso de medicamentos usados para tratar glaucoma, enxaqueca ou hipertensão como propranolol, timolol..., captopril, lisopril... devido às possíveis dificuldades em reverter um choque também devem respeitar contra-indicação, assim como aqueles com dificuldade de comunicação física ou mental.

PRODUÇÃO DE VACINA ANTIALÉRGICAS

A matéria-prima é submetida a processo de purificação. Inicia-se desengordurando a matéria-prima e faz-se a extração. A concentração é feita por processos de precipitação e ultrafiltração. A diálise é feita para retirar moléculas contaminantes com peso molecular abaixo de 5000, e a seguir o material é liofilizado para conservar as suas propriedades biológicas, que constituem o extrato alergênico.

Na caracterização bioquímica é feita a dosagem das proteínas: faz-se uma eletroforese em meio especial para identificar o padrão protéico (SDS-PAGE) e a seguir definir o padrão antigênico por imunoblot. Nessa fase identificam-se as características moleculares do extrato alérgico, mas não se sabe se o alérgeno é ativo ou não. Geralmente as vacinas são expressas em PNU.

A padronização biológica permite identificar se o lote do extrato é ativo ou não, medindo sua atividade biológica por meio de testes cutâneos (teste de puntura) e da potência alergênica (teste Elisa - inibição). Nessa etapa é que se mede a atividade biológica do extrato, o que caracteriza as vacinas antialérgicas em unidades biológicas (UB).

A vacina antialérgica mais usada atualmente entre nós é a injetável, mas nos últimos 15 anos começo o uso a vacina sublingual. A vacina sublingual é bem absorvida pela mucosa oral, onde o alérgeno permanece por várias horas. Os estudos científicos têm mostrado que as aplicações sublinguais e injetáveis são igualmente efetivas.

CONCLUSÕES

A vacina antialérgica modificou favoravelmente a história clínica da alergia, apresenta uma boa eficácia clínica, melhora a vida do paciente e diminui ou elimina a intensidade dos sintomas do órgão afetado. Diminui também o uso de medicamentos e melhora a tolerância ao tratamento, ou seja, liberta o alérgico e permite que o menino seja menino, que a mulher seja mulher e que o homem que seja homem.

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